O FreeBSD não está morto, apenas está quieto

Quem vem dos anos 2000, principalmente entre 1999 e 2009, observa que de fato, o FreeBSD perdeu muito espaço, principalmente nos provedores de Internet. De fato, o FreeBSD foi muito importante para a democratização da internet, com o seu uso nos ISPs, desde o tempo da Internet discada.

Mesmo com o ports, importante repositório de aplicações portadas para o FreeBSD, ainda que baseadas em Linux (principalmente), o FreeBSD não decolou, como esperado. Em parte, pela comunidade, menor que a do Linux, o que gradativamente fez com o que o sistema fosse deixado de lado. E, os containers, que evoluiram melhor, no Linux, como Docker, e outros, massificando os microserviços. Ainda assim, o FreeBSD possui melhor gerenciamento de memória, melhor performance em banco de dados, melhor perfomance em ambientes com Samba (SMB), e melhor aproveitamento de disco, maximizando o uso de I/O, de forma superior ao sistema do Pinguim.

Mas, não é correto afirmar que o sistema, está "morto", pelo contrário. O FreeBSD continua ativo, mesmo sendo base para diferentes sistemas de firewall UTM, como o pfSense e o Opnsense, e em soluções específicas. O que falta mesmo, é um engajamento maior, em torno do sistema, que precisam de ações específicas, como o BSD Days, e o engajamento de apresentações dentro da própria Sociedade Brasileira de Computação. O que dá uma outra conversa, talvez longa, para um outro dia.

Nginx e Traefik como proxy reverso, têm desempenho melhor no FreeBSD

Com a onda de conteinirização, seja via docker, ou até mesmo LXC, onde o FreeBSD pode atuar como proxy entre as diferentes tecnologias, o desempenho entre uma máquina Linux e um FreeBSD, com a mesma configuração, com Traefik e Nginx, foram de até 6% superiores, para o FreeBSD, utilizando um mesmo hardware.

A melhoria de desempenho, se principalmente pelo gerenciamento de memória do FreeBSD, que sempre foi superior ao do Linux, devido a uniformidade do desenvolvimento do sistema, primando sempre pelo máximo aproveitamento do hardware. Para ambientes robustos, o BSD, mesmo com uma média de 6% de desempenho acima do Linux, traz um número interessante, principalmente para ambientes balanceados, com técnicas ao gosto do sysadmin, ou DevOp. Os testes forma feitos no laboratório da GNX, parceira do BsdSul, tanto em ambiente de testes, como de produção, buscando usar tanto o Linux, como o FreeBSD, na distribuição de carga para seus diferentes sistemas e serviços.

Material sobre a palestra sobre IPv6 e FreeBSD

A palestra que ocorreu no último fim de semana, no dia 01 de junho, sobre FreeBSD e IPv6, organizada pelo professor Mauro Paes Corrêa, está disponível no Youtube, bem como os slides. O tema, que é muito interessante e reforça a importância do sistema em diversos ambientes, está nos seguintes links:

Slides https://gnx.com.br/bsdday/IPV6_FREEBSD_BSDDAY.PDF

Palestra https://www.youtube.com/live/mqGmcLLSap0?si=woGPX7i5_87hL4Lf

GhostBSD, um FreeBSD Desktop

No teste de hoje, resolvemos trazer como destaque o GhostBSD, que é uma opção de um FreeBSD gráfico, trazendo ao usuário uma experiência interessante, apesar de alguns percalços em algumas configurações do sistema, e a ausência de alguns recursos necessários para o usuário iniciante, ou que pretende fazer do GhostBSD seu sistema principal.

A instalação foi muito simples, bastando fazer o download da imagem do sistema no site oficial, e usar o rufus para fazer a gravação da imagem no pendrive. Após o processo, bastou iniciar o hardware com o sistema, e a instalação foi muito tranquila, com apenas alguns passos para escolher o mapa de teclado, o idioma e o nome do usuário e senha do desktop.

Sistema carregado, a primeira surpresa: o ambiente MATE, baseado no GNOME, é muito interessante e extremamente rápido. A fluidez do sistema, apesar de sua simplicidade, facilitar uma primeira imersão no sistema.Mas, além da estabilidade trazida pelo FreeBSD, houveram vários contrapontos:

A falta de uma ferramenta de escritório, pesou bastante na availação do sistema. O GhostBSD apenas possui por padrão, um cliente de e-mail, um visualizador e editor simplificado de imagens, e ajustes no som. E só, sendo o resto bem gerenciado pelo painel de controle do sistema.

O suporte ao som, aparentemente funcionou, mas para o teste do hardware, faltou uma caixa de som para validar o áudio, e em relatos de outros usuários, não parece ser um problema no sistema.

Quanto a conectividade, o GhostBSD vai muito bem em IPv4, mas em IPv6 sofre um pouco ,pela impossibilidade inicial de fazer a sua configuração pelo desktop. É necessário ir no /etc/rc.conf e fazer as configurações adicionais, para finalmente, ter a experiência completa de conectividade no sistema, pois na aba de configuração da interface, a opção simplesmente ignora ou não lê os parâmetros para IPv6.

Pedir pelo suporte a WebCam, parece ser algo além do que o sistema oferece, ainda que no ports do sistema, há diversas aplicações que buscam trazer o suporte ao hardware muito utilizado em reuniões e contato online. Mas, se nem no Linux, o suporte a WebCam funciona muito bem, o que esperar do GhostBSD, não é mesmo? Ainda assim, apesar de uma experiência positiva, o GhostBSD precisa se espelhar nos seus primos baseados em Linux, e trazer mais opções para os usuários, pois se tiver uma boa suite opensource de escritório, e um suporte eficiente ao hardware básico, pode ser sim, uma boa opção em ambientes públicos e corporativos, que desempenham tarefas específicas. Para finalizar, um screenshot demonstrando que efetivamente, o desktop funciona, trazendo a conectividade de rede observada no site ip6.biz.

https://bsdsul.com.br/includes/thumbnail.php?file=captura-de-tela-em-2025-06-03-01-26-51-2.png

Baixando o ClonOS, um FreeBSD com o CBSD e a interface de gerenciamento de virtualização ClonOS

O CBSD é uma ferramenta de virtualização que agrega o bhyve, QEMU e XEN, que busca demonstrar que o mundo "cloud", não vive apenas do Linux, e que o FreeBSD está na "área". O CBSD em si é robusto, e agora conta com o ClonOS, uma interface WEB que pode ser empacotada em uma imagem ISO, com o FreeBSD , permitindo usar o sistema para estudos e até mesmo em produção, caso o usuário se sinta seguro.

Porém, como o projeto ainda está em desenvolvimento, algumas features podem estar ativas em releases diferentes do projeto, e a última versão, do momento em que este post está sendo lançado, e a versão 19, podem ser baixadas a partir deste link:

https://gnx.com.br/clonos/

Vale a experiência e inclusive, no último BSDDAY, do dia 31 de maio, o ClonOS apareceu por lá em uma palestra sobre IPv6.